Uma minutos. No total foram avaliados 50 pacientes, sendo

Uma
pesquisa foi realizada no Posto de Urgência no centro do município de Itaperuna
– RJ, de novembro de 2014 a julho de 2016, a fim de comparar a redução dos
níveis pressóricos de pacientes com urgência hipertensiva tratados com
captopril através da via oral (VO) ou sublingual (SL). Previamente à
administração do medicamento foi aferida a pressão arterial (PA) do paciente e
foram colhidos dados pessoais e relacionados à comorbidades e uso de
medicamentos. Os pacientes tratados tiveram sua PA aferida após cinco minutos e
depois a cada 15 minutos até o período total de 90 minutos. No total foram
avaliados 50 pacientes, sendo 50% do sexo feminino, com idade de 18 a 90 anos e
média de 54 ± 17 anos, sendo 40% brancos, 36% negros e 24% mestiços. Os principais
fatores de risco citados incluíram sedentarismo (62%), sobrepeso/obesidade
(36%) e etilismo (30%). Um total de 42,86% apresenta dislipidemia e 39,29%
diabetes mellitus tipo II e 32% dos pacientes não apresentava diagnóstico
prévio de hipertensão arterial. O tempo médio para normalização da PA com a
administração do captopril SL foi de 34,62 min. e com a administração do
captopril VO foi de 46,30 min. O maior número de pacientes apresentou alta após
30 minutos após o tratamento, sendo que a pressão arterial sistólica média
apresentou redução de 25,64 mmHg com a administração SL e redução de 30,64 mmHg
com a administração VO. De acordo com avaliação estatística não existe
diferença nas médias dos valores de redução da PA na população analisada.

 

Palavras-chave:
Urgência hipertensiva, captopril, via sublingual, via oral.

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Introdução

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um dos principais fatores de
risco cardiovascular e pode resultar em consequências graves a alguns órgãos
como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos, além de ser responsável pelo
elevado número de internações e procedimentos altamente especializados. Como
consequência, há um aumento do absentismo no trabalho e aposentadoria precoce
e, principalmente, a fragilidade em termos de qualidade de vida de seus
portadores. Considerando-se sua relevância epidemiológica, a HAS representa um
importante problema de saúde pública, destacando-se como uma enfermidade de
evolução clínica lenta, assintomática e que acomete um número considerável de
pessoas (1,2,3).

        Aproximadamente 75% dos pacientes
hipertensos não mantêm os níveis de PA controlados e, dentre estes, apenas 1%
apresenta ao menos um episódio de crise hipertensiva, tendo esta maior
incidência de pessoas acometidas entre 50 a 59 anos (23% em 2009 e 22% em 2010) e
entre as faixas etárias de 60 a
69 anos, com prevalência de 22% (4). Dentre as crises hipertensivas tem-se a
urgência hipertensiva, caracterizada pela elevação da PA que não representa
risco imediato de vida e nem dano agudo a órgãos-alvo, sendo assim o controle
da PA poderá ser realizado com a redução gradual em 24 h. (5). A urgência e a
emergência hipertensivas podem compreender mais de 25% dos atendimentos
hospitalares de urgência. Estima-se que 3% das visitas às salas de emergência
são associadas ao aumento excessivo da PA (6). 
Pacientes atendidos em urgência
hipertensiva apresentam maior probabilidade de evoluir com síndromes isquêmicas
agudas (SIA), acidente vascular encefálico (AVE), fibrilação atrial (FA), edema
agudo de pulmão (EAP) e dissecção aórtica (DAo) nos dois anos seguintes, quando
comparados a controles hipertensos que não apresentam crise hipertensiva. As
urgências hipertensivas representam cerca de 76% das crises hipertensivas (7).
Segundo estimativas, cerca de 1,0 % dos hipertensos podem evoluir com crise
hipertensiva, sendo mais usual em pacientes previamente diagnosticados com HAS
primária e que não aderiram de forma adequada ao tratamento instituído (2). Estudos indicam falhas no uso de medicamentos
anti-hipertensivos, devido à falta de acompanhamento periódico pelos
profissionais e até mesmo prescrições     
 inadequadas (8).

Nas situações de urgência hipertensiva os pacientes devem
ser minuciosamente avaliados com anamnese detalhada e exame físico cuidadoso.
Apesar da necessidade de tratamento ser considerada urgente, é permitido o
controle lento utilizando droga oral ou sublingual. A diminuição rápida da
pressão arterial não permite a autorregulação cerebrovascular, podendo acarretar
a hipoperfusão do cérebro, desencadeando sintomas como tonturas, náusea e
síncope (7).

O uso do captopril em urgências hipertensivas tem se mostrado eficaz na
redução dos níveis pressóricos com boa tolerância pelo paciente. A
administração pode ser via oral ou até mesmo sublingual, cujo efeito se inicia
em 10 minutos atingindo o máximo de ação após duas horas da administração (9).
Tal escolha medicamentosa é considerada a melhor alternativa, através da via
oral ou sublingual para o tratamento de crises hipertensivas, principalmente
quando o bloqueio do sistema renina angiotensina aldosterona (SRAA) tenha
indicação preferencial, como nos casos de insuficiência cardíaca congestiva,
AVC, hipertensão arterial maligna e infarto agudo do miocárdio. Vale ressaltar
o cuidado de se utilizar doses fracionadas, repetidas a cada 60 minutos se
necessárias, proporcionando maior segurança no manuseio de situações de
hiper-reninemia, em que a resposta hipotensora pode ser exacerbada (10).  A via sublingual é
preferível à oral, pois a mucosa bucal é bem vascularizada o que proporciona um rápido efeito terapêutico. Entretanto, mesmo em uso em curto prazo, os medicamentos sublinguais dão gosto amargo e ruim sobre a língua e também causam efeitos indesejáveis
como hipersensibilidade e queimaduras
químicas na mucosa bucal. Deste modo, um método alternativo
pode ser a via oral, frequentemente preferível no departamento
de emergência, pois é segura e fácil (11). Tal colocação
apresenta controvérsias quanto ao efeito terapêutico mais rápido, havendo
estudos que afirmam que o efeito hipotensivo do captopril sublingual e oral são
semelhantes (12).

Na prática clínica pode-se observar o uso frequente do captopril
através da via sublingual nos casos de urgência hipertensiva, porém, o
medicamento não apresenta formulação farmacêutica específica para tal uso, o
que sugere que tal via de administração realmente não tenha nenhum benefício
adicional ao paciente. Assim, esta pesquisa apresentou como objetivo a
avaliação da redução dos níveis pressóricos de pacientes com diagnóstico de
urgência hipertensiva tratados com captopril através da via oral, conforme
indicação normal do medicamento, ou sublingual, a fim de se estabelecer a
necessidade ou não do uso da via sublingual como forma alternativa de
administração nos quadros de urgência hipertensiva.

 

Material e métodos

A amostra da pesquisa foi composta pelo total de 50 pacientes com
diagnóstico de urgência hipertensiva atendidos no Posto de Urgência (PU)
localizado na região central do município de Itaperuna, Estado do Rio de
Janeiro, durante o período de novembro de 2014 a julho de 2016. Tais pacientes
foram tratados com captopril 25 mg através da via sublingual (SL) ou da via
oral (VO), sendo a escolha por uma ou outra via de forma aleatória, buscando-se
perfazer um número aproximado de pacientes tratados através de uma ou outra via
de administração. Ao final os grupos contaram com a participação de 27
pacientes que receberam o tratamento através da via SL e 23 VO. Previamente à
administração do medicamento foi aferida a PA do paciente, assim como foram
colhidos alguns dados pessoais (idade, sexo, etnia e hábitos de vida) e
relacionados à presença de comorbidades e uso de outros medicamentos. A PA foi
aferida através de método indireto, com técnica auscultatória e com o uso do
esfigmomanômetro do tipo aneroide com graduação até 300 mmHg, por três vezes e
período prévio de repouso de cinco minutos, conforme as recomendações das
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Os pacientes tratados com
captopril (VO ou SL) tiveram sua PA aferida após cinco minutos e depois a cada
15 minutos até o período total de 90 minutos (ou seja, aos 5 minutos, 15, 30,
45, 60, 75 e 90 minutos após o tratamento) sendo que aqueles que não
apresentaram redução nos níveis pressóricos após um período de 30 minutos
receberam uma segunda dose do mesmo medicamento e através da mesma via, em
casos que não ofereciam riscos, conforme avaliação do médico responsável. Sendo
assim, algumas vezes foi necessária a administração de outro anti-hipertensivo,
priorizando-se a resposta do paciente. Ao final de 90 minutos de observação, os
pacientes que se apresentaram assintomáticos e com níveis pressóricos reduzidos
em níveis inferiores a 140 mmHg e a 90 mmHg para a pressão arterial sistólica e
pressão arterial diastólica, respectivamente, receberam alta médica. Por outro
lado, de acordo com a resposta do paciente, em alguns casos foi necessário o
seu encaminhamento para o hospital.  
Para melhor acompanhamento dos níveis pressóricos dos pacientes, foram
elaboradas tabelas referentes às aferições realizadas, as quais foram incluídas
às fichas de admissão de cada paciente. Também
foram avaliados os demais dados referentes às informações pessoais e sobre
comorbidades e uso de medicamentos. Os resultados foram expressos em
médias ± erro padrão da média sendo aplicado o teste t de student não -pareado. Para análise de bloco foi utilizada a análise
de variância (ANOVA) a duas vias. As diferenças foram consideradas
estatisticamente significativas quando p